O meu pai nunca me leu

O meu pai nunca me leu, mas sempre acreditou em mim. 

Foi ele que escolheu o meu nome, encontrado num romance, e ficou orgulhoso quando aos 15 anos disse-lhe que nunca o mudaria.
Ele tinha orgulho em mim, mas nunca mo disse. Sei porque os amigos dele dizem-mo sempre. Não era apenas a filha do meu pai, era a escritora.
Gosto da ideia que ele me via com mais sucesso que eu verdadeiramente tinha.

Os últimos dias do ano foram passados a arrumar a casa dele. Recuperei dois quadros e o último bloco de notas com o nome dele. Foi num desses blocos que escrevi o meu primeiro livro, aos 15 anos. 
E é neste bloco que vou começar o meu ano.

O meu pai sempre acreditou em mim, era o meu maior fã, mas ele nunca me leu.
E agora nunca mais me vai ler.

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